Uma mão-vitiligada pelo escorço do delírio I Luís Serguilha
Uma mão vitiligada tateia silíquias e aquénios cubistas, assimila o metabolismo dos cristais com pulmões sonoros do crime de uma EXCRIPTA-animal. Eis as pinceladas das gretas de uma mão a cratonizar-se com gravuras de tendões esfíngicos pela etologia verbal. Eis que há pelerines fossilizados a vibrar sobre esquissos dos lavadouros de nébulas, carregando câmaras de éfiras pelo nó da deserção. Eis que uma cabeça latifoliada lateja entre flabelos e catabioses, espicaçando-se à volta de tumidezes e torcimentos sangrentos das palavras. Eis que uma cabeça se enlaça com partículas enlameadas de uma excripta onde centelhas caninas, tentáculos ciliados e intaglios parafrénicos em sufusão debruçam-se sobre carpules turgentes das profecias. Eis as profecias plenas de rosáceas pelágicas e de pariduras fúngicas. Eis as malhas hifálicas das palavras que estendem nervos fendidos pelas melanoses, ensopando-se de silêncios dos respiradouros mais crinados. Eis que minúsculas goelas do assombro esfarrapam-se em torno dos vedores de espectros dos sacrifícios, onde tracerias em lignificação depuram-se com prenhezes de acalefas cravejadas de hulhas. Pelo espelhamento de uma bracelete de cariopses e de gástrulas, enuncia-se a secreção verbal entre acromias e tanatoses. Pelo respiro bífido da carne, uma mão vitiligada amarfanha e eviscera por meio de hirculações, microscópicos abatedouros e encistamentos. Pelo desvio do sangue arterial, consagram-se as fístulas dos lacraus, os edemas ectópicos e as carniças alófilas com línguas de suicídio e lapsos de exsurgências dos hematófagos. Pelas danças do escaravelho metabólico, arpoeiras em contrição heráldica abrem as mudas biliares ainda com carapaças áulicas rés à rutilância quimiotrófica. Pelas fendas do voo arbuscular, há uma Morpho azul a pousar na falência mais angulosa da mão que tenta forjar geometrias toscas e peças cárdicas com gotas micorrízicas. Pelas esquivanças do cinzel-briNcoleur, pinças abruptas das palavras burilam a carnação do prolapso com a fúria cutilante e vérmica dos artefactos, enquanto uma campânula axífuga estala cheia de talos bastardos de uma cegueira sobre trepidações das apomorfias. Resta, agora e sempre, um estoma espasmódico a contornar ganchos de uma escuta cárstica, harpejando lodos com meias-canas encarnecidas junto a um sifonóforo. Que a mão vitiligada se espigue com básculas de queratina pelas zoocorias. Que a mão vitiligada se dilate tremendamente com volutas exuviais entre parasitas esfoliados e restos de cifozoários. Que a mão vitiligada fareje bolores almiscarados entre resíduos de feliformias e anisópteros. Que a mão vitiligada chisque entre aivecas irrefreáveis e exéreses de poalhas de prata contra coágulos de actínias. Que a mão vitiligada digladie trapos argificados com goles anafóricos em suspensão: uma hiância saprófita. Que a mão vitiligada tropece entre obsidianas, roldanas cisalhantes e um osso lapiás. Que a mão vitiligada se arqueie com acrasias em câmara alta, absorvendo zooides. Que a mão vitiligada grampeie vasos braquiais com o jazz da deformação a testemunhar reminiscências crónicas. Que a mão vitiligada se vesgaste com bolhas concrescentes pelas funduras sismonásticas dos rosários engolidos por gigantescas abelhas de ébano. Que a mão vitiligada se esgarce por dentro de paramnésias e de zoopsias. Soprai, mão vitiligada, contra pérgolas malformadas e odaliscas lilases. Fervilhai, mão vitiligada, nas volições de um fulcro das cariátides com musgos fincados nos aneurismos das ranhuras quase em gotejamento. Prensai-vos, mão vitiligada, tumidamente com pelejas químicas junto à vernação rizosférica. Debulhai, mão vitiligada, chagas com vespas solitárias ao redor de ventosas e de xistosidades. Acrisolai-vos, mão vitiligada, com pneumatóforos, singrando pelo caos induzido ao nível celular e sináptico. Dizem: oscilopsia do informe. Repuxai-vos, mão vitiligada, com helcoses urticantes, alicerçando-vos com batimentos das faíscas das unções miceliais. Vara-se a mão contra cortagens de utensílios salivares apinhados de equimoses. Estremece a mão saturada de buris mercuriais a urdir os próprios borbotões em subducção. Encrudesce a mão nos flancos das têmporas de uma iliofagia. Encasula-se a mão nos feixes das latências a espelhar artrópodes estriados. Desforra-se a mão nos refrões dos deuses perdidos pelos queloides do mundo. Empluma-se a mão com náuseas trilobadas das hordas a extrair acritarcas nas zonas vadosas. Exsuda-se a mão junto aos alcatruzes lilases das histologias. Esfacela-se a mão com cóleras vindas das inervações anómalas de um útero esquivo. Apruma-se a mão com espelhamentos das subsidências de um rizóbio. E a mão vitiligada esbate-se com cataclases e abrinas. E a mão vitiligada reborda-se abrasivamente com estolhos pelas escórias cristalográficas. E a mão vitiligada cega-se com meristemas abortados e apojaduras em supinação pelas flebotomias. E a mão vitiligada endurece porosamente amantilhos e bainhas das escoriações das palavras-imagens prenhes de omatídeos e de raspas de estalactites. E a mão vitiligada esmaga-se com diplofonias em fagocitose. E a mão vitiligada rechaça-se pelas válvulas de púmice, mostrando propágulos, estípulas de silício, quelíceras e haustórios de uma excripta. E a mão vitiligada levanta-se com toda a insolência asco-bacilar e se transmuta em blástula purulenta pela peçonha de um estilete. Eis que a mão palpita cruelmente e se rendilha entre flexuras iluviadas e algares. Eis que a mão regurgita eutrofizada até atingir sensilas episiotómicas e axénicas. Eis que a mão vareja com mélanges siltosas e se engasta com pó espesso dos ventrículos à volta de gigantescos nódulos quitinosos. Eis que a mão entalha radículas nas orexias intrusivas e se punge com bastonetes dicionáricos. Eis que a mão se criva com rádulas raspadoras de muco e se expurga pelos cânticos das metalurgias, das medulas e dos meteoritos. Eis que a mão vitiligada trinca brasas de espuma tegumentar, placenta-se com diáteses e escorchamentos, encrespa-se com microtons das sangraduras das palavras, resfolga-se com viscosidades, suga-se com míldios em abscisão, ressuscita pelos vexilários e se torna cifístoma acidulado em torno de volúpias. Eis, enfim, a mão em apolemia com crustas, estômatos, sedimentos e súmulas meteorizadas pelas incisuras do delírio. Ao lado, esputos com óxidos nítricos catalisam denteações celibatárias. Aqui-agora, uma cabeça-ascídia intrincada por sincinesias resvala pelos frénulos dissecados de uma excripta, tentando buscar peristalses dos insectos no possível atrito de uma azulejaria. Aqui-agora, a cabeça-orceína cria lampejos na antese turbulenta de um engaste etológico. Aqui-agora, uma cabeça se torna em cladónia a blindar-se e a esporular-se pelas hematêmeses da excripta onde auxinas escamulosas ecoam numa bigorna de amuletos. Aqui-agora, um pacto da cabeça-enzimática drena onomaturgias, rebenta estocasticamente, soterra-se moxinifado e atinge uma hiperacusia arreica. Aqui-agora, a torcedura orogénica faz do xadrez da crisalidação verbal uma esputação luteínica. Aqui-agora, consome-se a cabeça-opúncia pelo mênstruo da excripta a roçar conveções de imagens-palavras, arquitectando uma hifa ascógena por meio de uma mão-vitiligada de um arqueólogo-LAHAR
In: Obra Poétia , Luís Serguilha
Luís Serguilha nasceu em Portugal e nos últimos anos percorreu algumas geografias da América do Sul. É poeta, ensaísta e curador das Raias Poéticas: afluentes de arte e pensamento ibero afro americanos. Publicou 15 livros de poesia e ensaio: Kalahari, Plantar rosas na barbárie, Falar é morder uma epidemia, os esgrimistas de Á-peiron, Hamartía e ACTRIZ ACTRIZ – o Palco do Esquecimento e do Vazio são os títulos de alguns dos seus livros. Em 2022 publicou o 1 volume da sua obra poética no Brasil. Em 2024 e 2025, publicou os volumes 1 e 2 da obra poética em Portugal pelas Edições Húmus. Radicado no Recife, criou a estética batizada como Laharsismo, estudada em Universidades. Recebeu os prêmios Hermilo Borba Filho e Júlio Brandão ambos da área de Literatura. Tem sido convidado por institudos e várias universidades ibero-americanas para conversar e ministrar conferências sobre os seus ensaios-criativos, envolvidos por atractores estranhos, que atravessam corpo-arte-pensamento-poesia. Realizou aulas-conversações( cursos) no de SESC Recife, de Santos, de Sorocaba e no Centro Formação e de Pensamento em São Paulo.












